quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Nostalgia


Todo início de ciclo parte do fim de outro ciclo. Na verdade, é tudo uma coisa só em constante rotação, mas cada vez que passamos por aquele mesmo trecho de estrada notamos pedras que não tínhamos notado antes, reparamos no céu mais azul, ou nas nuvens mais baixas. Passamos por aquele pequeno pedaço do caminho e cada vez que o cruzamos ele parece diferente, ainda que possa ser semelhante.
Sinto que a cada dia começo a viver o resto da minha vida, e ao mesmo tempo em que isso me mantém em constante começo, me põe em constante fim. No entanto, não é com melancolia que quero falar, mas apenas com a simplicidade de meus sentimentos mais sinceros. Hoje passei na porta do colégio onde estudei a vida inteira, e parada ali no semáforo esperando o sinal abrir, vi minha vida se abrir diante dos meus olhos como uma flor. Em alguns segundos, minutos comecei a relembrar de tudo que vivi ali; Deixei para trás os portões que tantas vezes cruzei, dia após dia, os dias em que acordava de mau humor e não respondia o Bom Dia que me esperava todos os dias no portão, muitas vezes suspirando ao me lembrar de que tinha aula com um professor insuportável, ou pegando meu celular para ignorar este mesmo professor ouvindo uma boa música. Muitas vezes cansada por uma noite em claro estudando para uma prova aterrorizante, ou simplesmente vendo televisão. Muitas vezes, incontáveis vezes, indo apenas pelo prazer de ver meus amigos, de passar com eles o tempo, isso era sempre, como era bom ir pra escola somente para estar com os amigos, as pessoas com quem estudei durante 12 anos. Confesso que fiz um esforço para segurar lágrimas teimosas que queriam salgar o meu rosto, foi um momento tão maravilhoso me lembrar de todas as pessoas, e também daquelas que de certa forma eu odiava. Um ano que deixei o colégio, quando estava lá estudando não via a hora de terminar, e hoje paro e digo: meu Deus, como sinto saudades. Sinto saudades de tudo, da euforia interminável dos meus amigos e amigas por serem obrigados a estudar a matéria mais odiada (matemática), das conversas, das brincadeiras, das vezes que fui mandada para fora da sala, e ate mesmo de sair da sala por livre e espontânea vontade. Basicamente, tudo ficou marcado, e meu Ensino Médio ficou registrado como um grande playground da minha vida, e já não me questiono se isso é errado, se eu deveria ter levado mais a sério. Apenas me lembro de ter me divertido muito e disso jamais vou esquecer. e é uma pena ter certeza de que muitos foram deixados para trás, assim como fui deixada por muitos. Mas tudo vale muito a pena, e só fica histórias para se contar.
Nesse ciclo fiz amigos, rompi amizades, dancei e fui criticada por isto, ri e chorei, ouvi e falei, perdi e conquistei e o tempo todo, e todo o tempo, fui apenas eu. Alguns me amaram, outros riram de mim, outros me acharam indiferente e com certeza alguns me acharam uma chata, mas pouco me importo com os julgamentos alheios, pois não me condeno por nada e, portanto, não me sinto no banco dos réus.
Conheci gente inesquecível e também gente que achei que duraria para sempre. Descobri que o "para sempre" pode ser curto, que "pessoas mudam e promessas são quebradas". Mas também descobri que de onde menos a gente espera surge novos caminhos.
Ruínas de velhas amizades se tornaram pontes para que eu encontrasse outras pessoas pelo caminho. Lágrimas se tornaram risos, distância se tornou abraço.
No entanto, como todo fim de ciclo se emenda ao início de outro, é com esperança que vejo o futuro. Agora que vou começar a faculdade, irei começar um novo ciclo, onde conquistarei novas amizades e coleguismos. Espero que o que for verdadeiro sobreviva. E espero que haja sobrevivente o bastante.
Do meu jeito, vou tentar manter corações aquecidos: pela minha sinceridade, pela minha lealdade, pelo que acredito, pela minha tendência de ser maluquinha, de inventar e executar, pelo meu gosto de fazer as pessoas rirem, pelo meu prazer em ajudar e pela minha alegria em viver.

Obrigado meu Deus por ter permitido que eu chegasse até aqui !

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